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“17 de setembro, o dia que tudo começou” e 15 anos depois…

17 setembro 2010 8 Comentários       Postado por Rafael R

Por: Lidia Carvalho

Eu e o Manoel demoramos a nos encontrar. Tínhamos amigos em comum, ele frequentava minha casa por conta dos meus irmãos e até namorou com uma amiga, mas nunca tive oportunidade de conhecer o garoto que viera de São Paulo recentemente, mesmo porque eu também estudava fora e só ia pra casa aos feriados…

Mas um dia…Ví e gostei!!

Apelei à uma amiga em comum que me apresentasse,o que ela fez de pronto, mas não resolveu muito. Quando não era ele que “fugia”, era eu que tinha de ir embora (antes que o encanto se desfizesse rsrsrsrs) justamente quando ele chegava da balada. E mais um e outros feriados no 0X0. Aí eu dei em cima mesmo, até que um dia, ficamos. Aí ele ficou menos resistente,e como era mês de férias, a gente sempre dava um jeito de nos vermos, apesar da marcação dos meus pais e dos meus irmãos.

Um dia ele deixou bem claro que curtia ficar comigo, mas que não queria nada sério, que não pretendia assumir compromisso algum. Eu fiquei arrasada, porque não teria tempo de convencê-lo do contrário, já que no dia seguinte, eu voltaria às aulas… Minhas amigas sabem, coitadas, quanto foi difícil tentar esquecer minhas férias, tudo que tinha acontecido. Eu mandei uma carta, dizendo o quanto tudo que vivemos tinha significado… com um envelope feito por mim. No primeiro domingo depois da minha volta, antes que minha carta chegasse ao destinatário, ele me ligou, sem nenhuma pretenção (segundo ele) pra saber como eu estava .E assim aconteceu em todos os domingos que vieram, ficávamos horas no telefone, falando sobre tudo (só não se falava sobre nossa condição).

Pra minha surpresa logo chegou a resposta da minha carta, e mais que da carta, gostei do envelope, feito por ele. Ele tinha entendido o “espírito da coisa”, e o melhor de tudo: entrado no jogo! Trocamos cartas semanais nos dois anos e meio que se seguiram, todas com nossa “embalagem”especial. Melhor que o conteúdo, era aguardar a surpresa do envelope…

Nos falamos ao telefone e trocamos cartas um mês e meio, e num domingo, 17 de setembro, ele me perguntou se eu tinha namorado. Eu lógico, respondi que não, e até estranhei a pergunta, aí ele disse que se eu quisesse, a partir daquele dia, poderia dizer que tinha!!! Ele enfim tinha “assumido” que queria ficar comigo! Começaram então nossas operações pra nos vermos… Ele vinha de Minas, me ver no interior de São Paulo. Ficávamos sentados numa pracinha, tentando namorar e torcendo pra qque não passasse nenhum conhecido que nos entregasse. O Manoel tentou várias vezes falar com meus pais, pra que nos deixassem namorar, mas eles sempre foram irredutíveis: Não poderíamos namorar!!

Mas o que sentíamos era maior que tudo, eu matava aula pra nos encontrarmos em São Paulo, já que era o meio do caminho. No início, nos víamos de dois em dois meses, minha primeira vez, e todas as outras, foram com ele. E depois não conseguíamos ficar sem nos ver nem uma semana. Ele já trabalhava, morava sozinho, tinha dinheiro pra bancar nossas aventuras, mas eu, cada vez mais sem dinheiro, já que meus pais enxugaram minha verba justamente pra dificultar nossas fugas. Então ele me bancava também: as economias que ele tinha pra comprar a tão sonhada moto, nós gastamos em viagens, shows, motéis, etc, etc (dinheiro mto bem aplicado,mas que faria muita falta,um tempo depois).

Como já tinham se passado quase três anos, e meus pais continuavam irredutíveis quanto ao nosso namoro, comecei a ficar desesperada, já que iria me formar e meus pais deixaram bem claro que depois disso, eu voltaria a morar com eles. E eu sabia que se voltasse pra casa, meu conto de fadas acabaria. Foi daí que começamos a amadurecer a idéia que íamos executar uns meses depois…

O Manoel pediu demissão do trabalho, vendeu todos os móveis da casa dele, e foi de mudança pra Curitiba. No dia em que fiz minha última prova, peguei uma mala com roupas, outra com todas as nossas cartas, e me mandei pra Curitiba, sem que ninguém soubesse. Lá passamos muito perrengue, pois eu não conseguí me colocar profissionalmente, ele também trabalhava no que aparecia, e nesse tempo, dinheiro era artigo de luxo… Morávamos na periferia de Curitiba, eu trabalhava no centro, uma viagem pra chegar no trabalho. Ele trabalhava perto de casa, mas se matava e ganhava mal. Nossos salários davam justo pras contas. Se quiséssemos ir ao cinema, tínhamos que economizar por dois ou três meses. Ficamos nessa por quase um ano. Aí eu não aguentei mais, as coisas se complicando, a possibilidade de nunca mais voltar a falar com minha família…E por mim,ele decidiu que voltaríamos…

Aérea de Curitiba
Os tempos foram difíceis, mas o passo foi importante!

Quando chegamos em Minas, nossa situação ficou menos pior, afinal,todo mundo na pequena cidade nos conhecia e tivemos apoio de um casal de amigos. Arrendamos uma pousada e fomos levando a vida, já fazia dois anos que estávamos de volta e toda tentativa de aproximação com meus pais era frustrada. Um dia dei de cara com minha mãe, no ônibus, meu coração ia sair pela boca, eu fiquei estática, sem nenhuma reação. Ela simplesmente me ignorou.

Como fazia quase seis anos que estávamos juntos, resolve engravidar, apesar das constantes cartas à cegonha, nada de resposta. Mas continuamos na tentativa. Numa tarde de maio eu me preparei, me despedí do meu marido e quando estava saindo pro mercado, meus pais pararam em frente à pousada. Nos abraçamos e reconciliamos. Passamos a frequentar a casa deles, mas me sentia uma estranha. Nosso relacionamento não era o mesmo. Nos “casamos” um mês depois, mais por eles que por nós (pra nós dois, nosso casamento foi no dia em que eu pisei em Curitiba e fomos fazer nossa vida juntos), estávamos felizes pelas coisas estarem se encaixando. Pra completar nossa alegria, procurei um médico pra saber os motivos que me impediam de ser mãe e logo na primeira consulta, quando fui à sala de ultrasom, eu cheguei a pensar que que o médico era louco quando disse que eu não só já estava grávida, como poderia dar tchauzinho pro bebê. (rsrsrsrsrs)
Era verdade,eu estava de seis semanas, e nosso filho nasceu exatamente um ano depois da nossa reconciliação com meus pais.

O Manoel se mostrou um pai exemplar,o que eu já esperava. Compramos nossa casa quando nosso pequeno tinha um ano, e fomos melhorando. Ele tinha um bom trabalho numa empresa próspera na cidade, era querido por todos, o que contribuiu para que fosse promovido. Em função da promoção, tivemos que nos mudar algumas vezes mais.

Quando engravidei pela segunda vez, afirmei que estava grávida, Manoel disse eu estava louca, nem quinze dias de atraso, e achava que tava grávida, tanto tempo pra engravidar na primeira vez… Como sou teimosa, fui fazer o exame, que claro, deu positivo. Dessa vez, uma menina. Eu costumo dizer que O Gabriel é o doce da minha vida, já a Julia, a pimenta. Enquanto um é a calma em pessoa,a outra é ardida, brava.

Fazem dois anos que nos mudamos outra vez, vendemos nossa pequena casa, e estamos a caminho da próxima, já que a família aumentou, o Manoel trabalha no que gosta é valorizado pelo que faz. Apesar de nunca se acomodar e sempre querer subir mais alto…Nos relacionamos bem com a família,na medida do possível, sei que não posso mudar certas coisas, mas o melhor é cada um no seu canto, com muito respeito… Nós já passamos por várias coisas juntos, a vida tem altos e baixos, aquela paixão do início deu lugar à maturidade, respeito, adimiração, compreenção e ao amor. Porque a paixão consome como fogo em palha, logo se acaba. Mas o amor é o combustível que nunca acaba e todos os dias é liberado como doses homeopáticas sobre todos os males do dia a dia,curando todas as feridas, as palavras ditas sem pensar, as atitudes tomadas num ímpeto, sem perder o bom humor e o tesão também!

Lidia e Manoel
Histórias de amor verdadeiro resistem ao tempo!

Apesar de todas as dificuldades e crises que passamos juntos, jamais cogitamos nos separarmos. Claro que existem dias que parecem “noites”, mas o melhor é a certeza de que tudo passa. Menos o que sentimos um pelo outro. Que construímos nosso sonho juntos, que as crianças são nossa alegria e nosso estímulo diário de buscarmos juntos os tijolos do nosso castelo…

É por isso,que hoje,quinze anos depois do pedido de namoro, meu amor, admiração, respeito pelo rapaz que ví se transformar num homem digno, exelente pai, não acaba. Pelo contrário, aumenta a cada dia em que acordo, e o vejo alí ao meu lado, pronto pra qualquer batalha que possa nos surpreender.Isso me encoraja a namorá-lo por mais quinze anos mais. Os outros virão depois…

A equipe do DdC gostaria de parabenizar a Lidia e o Manoel por estarem juntos, enfrentar as barreiras e conseguirem, após 15 anos daquele pedido de namoro inocente por telefone, permanecerem juntos e terem muito amor, tanto um pelo outro, como o amor que têm as filhos… É por histórias como ESSA que eu continuo acreditando que vale a pena mostrar as pessoas que o amor ainda vale a pena, principalmente nos dias de hoje onde tudo é tão complicado, rápido, estranho. Vida longa ao casal e a todo mundo que acredita no amor!

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8 Comentários      Postado por Rafael R
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8 Comentários »

  • lidiamanoel disse:

    Oi gente!!
    Meu amor nem imaginava que eu tinha mandado nossa história pro blog;
    depois de ler,me abraçou e choramos juntos,de felicidade é claro!!
    Nossa comemoração não foi como planejamos,pq a catapora nos visitou justo ontém-mas essa é outra história…
    Só pra constar,os “meninos”super solícitos,eduvados e competentes,me atenderam com extrema competência :p
    Me sentí em casa…Sucesso!!!!
    ;)

  • Thaise Pregnolatto disse:

    Nada mais gostoso do que acordar com uma bela história de amor num domingo gelado…

  • Diego Fávero disse:

    adoro conhecer histórias de “como tudo começou”..

  • Mayara Godoy disse:

    Que história LINDA! É a mais pura prova de que o amor é capaz de superar qualquer obstáculo, não é?
    Parabéns ao casal!

  • JANE DE TATUI . disse:

    Parabens linda sua historio ,que Deus continui abençoando sua familia …
    vcs foram muito corajosos…. bjsss …

  • Nilson Viana disse:

    Parabéns Lidia e Manoel! A história de vocês é um verdadeiro testemunho, por sinal, estes são incentivos pra que pessoas mudem modos de agir e pensar, pra que possamos entender que vale a pena amar quando se econtra alguém que nos de motivos pra largar o que for preciso e partir na construção de um sonho. Cada vez mais vivemos num mundo onde os verdadeiros valores estão postos de lado, tantas preocupações errôneas quando na verdade o essencial é bem mais simples do que se parece, basta disposição, e isto vocês mostraram de sobra, por isto a felicidade foi um presente em suas vidas. Que Deus ilumine esta família, fruto de verdeiro amor, luta, perseverança e a vontade de partilhar sempre!!!

  • tata disse:

    Amei, e senti vontade de chorar. Coragem é uma das maiores qualidades do verdadeiro amor. Ir de encontro aos sonhos sem deixar que as pessoas ( ou o casal mesmo)destruam um sentimento tão puro também. Não que seja o ideal ir contra os pais, mas se há amor, verdadeiro, como sabiam que tinham um pelo outro, Ir a luta e enfrentar tudo foi o melhor que poderiam ter feito. Parabéns!!!

  • lidiamanoel disse:

    É isso mesmo,Tata,eu não aconselho ninguém a reproduzir nossas atitudes; as tomamos pq nunca tivemos dúvidas sobre o que sentíamos nem sobre o companheiro que tínhamos,um no outro…
    Isso não quer dizer que uma situacão semelhante,não possa ter uma solução diferente,não??
    Abraço!!!! ;)

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