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A Piramide: O amor é o topo de tudo, mas a confiança sempre será a base.

15 Março 2011 17 Comentários       Postado por Ele / Ela

Sempre recebemos dúvidas, elogios e textos de nossos leitores. Esse nos surpreendeu. É uma leitura gostosa e que poderá ajudar muitas pessoas que passam pela mesma situação que a Paula, leitora do DdC, quem nos enviou. Confira abaixo.

Esta é uma historia que poderia ter tomado proporções diferentes, poderia ter seguido por algum outro caminho. Mas, não. Às vezes, a vida nos engana, porque nós mesmos às vezes nos enganamos para fugir daquilo que nos aflige.

Bom, quero compartilhar minha história aqui para evitar que algumas pessoas cometam o mesmo erro. E principalmente para esclarecer que não basta existir amor: o amor não é a base! A base é a confiança, o respeito. Sem uma base, o amor não tem como suportar, jamais!

No ano passado, conheci uma pessoa que, momentaneamente, me fez sentir um desejo enorme. Bonito, rodeado de muitas pessoas, um sorriso lindo e um olhar mais que cativante… Pronto. Bastaram alguns segundos para que eu colocasse em mente que queria que rolasse alguma coisa. E aconteceu… Aconteceu, sim, que ele era um galinha assumido, de corpo e alma, carteirinha, e ao mesmo tempo em que nos encontrávamos, ao mesmo tempo em que ele estava comigo, também fazia a festa com as demais pessoas ao redor que lhe fossem “agradáveis”.

Aos poucos fui me interessando mais e também me machucando mais, querendo deixar tudo pra lá, mas ao mesmo tempo, querendo sempre mais. Eu duvidava que ele mudaria, ou simplesmente deixaria aquela vida de lado para seguir de outra forma comigo. Muita coisa aconteceu, muitas tentativas de não ficarmos mais juntos, muitos foras, desencontros… Até que, de pois de persistir muito nessa conquista, as coisas começaram a, digamos, mudar!

Vagarosamente ele comecou a deixar de lado os amigos, as saídas, as atitudes infantis e dar atenção a mim, construir uma relação e cultivá-la também. Só que, muito mais que eu imaginava. Tornou-se a pessoa mais especial do mundo em segundos, me satisfez em tudo, me fez sentir a pessoa mais feliz e completa.. Intensa e completamente, ele se dedicou a mim, e eu, a ele. Ele largou simplesmente tudo, mudou da água para o vinho, de uma pessoa totalmente relaxada e bagunceira, tornou-se uma pessoa dedicada, atenciosa, carinhosa e… muito… mas muito… ciumenta, nervosa, fechada. Não admitia de jeito nenhum que eu tinha uma vida antes de conhecê-lo!

Aí entramos com o problema! Acontece que todos nós sabemos que uma relação precisa de liberdade, de aceitação e compreensão, por mais difícil que seja. E quando existe ciúme, fantasias, paranoias, estresse, fica difícil levar adiante, por mais que ambos queiram demais! Quando digo liberdade, não me refiro a palhaçadas, atitudes levianas, não dar nenhum tipo de satisfação, curtir a vida adoidado lado a lado com o namoro. Mas, sim, liberdade de expressão, de ser quem realmente somos sem sermos julgados, liberdade para poder ir e vir, liberdade para fazer o que bem entendermos, pois há coisa mais bonita no amor, que, apesar de termos asas e podermos voar para onde quisermos, sempre voltamos para os braços daquele alguém por vontade própria? Esse é o amor propriamente dito.

Mas, infelizmente, hoje muitos acreditam que é necessário segurar ao máximo as pessoas para que elas se jam exclusivamente nossas e, assim, nos amem para sempre. E meu maior erro desde o início foi, ao ver que a pessoa que estava ao meu lado era difícil, incompreensiva, nervosa, um pouco agressiva e muito insegura, fazer nascer um sentimento oposto chamado medo, perdendo totalmente a noção do certo e errado, passando a fazer tudo que ele queria para não existirem problemas, passando a ser uma pessoa covarde por medo de ele ficar magoado, enciumado e afins.

Já não tinha mais amigas (muito menos amigos, jamais tive o costume de me relacionar com pessoas do sexo oposto), páginas na Internet, e-mails, e, sinceramente, isso nunca me fez falta! O problema é que, ao atender todas as vontades dele, comecei a confundir o que é certo e errado em tudo isso. Ao meu ver, tudo passou a ser errado: ir ao shopping, sair com amigas, ter amigas, estar em algum lugar onde muitas pessoas estavam (como a faculdade, por exemplo), usar o computador, etc. Tudo isso foi se confundindo em minha cabeça.

E, como esperado, como fui covarde desde o começo com pequenas coisas para nao preocupá-lo, ele dizia todos os dias que não confiava em mim e que jamais confiaria. E dessa desconfiança começou a nascer outra coisa: desrespeito. Ofensas, palavras da boca pra fora, palavrões, agressões verbais, crises de ciúme exageradas, enxergando coisas onde não existem, sempre me chamando de mentirosa, entre outros. Sim. Grande parte por minha culpa! Por desde o começo nao colocar um limite nisso tudo e fazê-lo aceitar as coisas como realmente são, gostando ele ou não.

E daí, claro, essa desconfiança foi abrindo espaço para me ver como se eu fosse uma criminosa, um monstro. Celular, e-mail, questionamentos desnecessarios, duvidas absurdas, tudo era motivo para desconfiar mais e mais, e fui me machucando cada vez que ele ousava duvidar do meu sentimento.

E, adivinhem onde chegamos? Onde queríamos, vamos nos casar daqui a 6 meses e moraremos juntos. Certo?

Errado! A chance disso dar certo seria 0,001%. Bem que eu queria que desse certo mesmo.

Porque, apesar de todas as coisas, o amo e o admiro muito como pessoa. Difícil acordar e não ter mais aquela pessoa que gostamos, que nos dá carinho e atenção quando precisamos. Por isso, nunca cometam o mesmo erro que cometemos. Nunca deixa que ciúme, machismo, o que quer que seja, tome conta do coração de vocês. Ajude as pessoas a se transfomarem. A enxergar o amor livre. A viver o presente. A acreditar que a vida é melhor quando confiamos, respeitamos, aceitamos as pessoas como elas realmente são. E jamais ser covarde, se omitir, jamais.

Mesmo que, assim como eu, nunca quis magoá-lo, sempre protegê-lo, sempre querendo viver e construir uma família. Uma vez que tudo isso tomou esta proporção, meu coração está em pedaços e, pior que não sentir mais amor por alguém, é sentir muito amor a ponto de assumir que muita coisa precisa mudar. Se ele não quer mudar… Se não enxerga… Posso eu estar muito errada!

Certa ou errada, ele era meu pequeno talismã, a melhor conquista da minha vida, dediquei plenamente todos os meus dias a esse amor sem pensar em receber nada em troco. Queria apenas…. paz. A vida é uma pirâmide, o amor não é a base e sim o topo. Para atingirmos o topo, precisamos construir os primeiros níveis: confiança, respeito e dignidade. E mesmo que possamos tropeçar as vezes, errar, só assim seremos dignos de chegar ao topo.

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17 Comentários      Postado por Ele / Ela
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17 Comentários »

  • Adriana Araújo disse:

    Vivi absolutamente essa situação e hj após 5 e 7 meses de relacionamento no qual 1 ano morando juntos no Rio,me vi decidida a acabar a relação por uma questão de sobrevivência.

    Me identifiquei completamente com suas palavras e hj percebo que devemos manter a distãncia regulamentar da privacidade para podermos viver e sermos que sempre fomos,sem a necessidade de nos alunarmos em prol de um amor doentio.

    Quem ama confia e principalmente respeita.

    Grata por sua declaração que só fortaleceu a minha conduta.Já postei no meu facebbok.

  • Mayara Godoy disse:

    Eu acho que a história da Paula nos ensina muitas coisas.
    A primeira delas é que jamais devemos nos anular em função de quem quer que seja. É preciso ter vida própria para que um relacionamento funcione. Afinal, um relacionamento é composto por DUAS pessoas. Se você deixar de ser uma pessoa por inteiro, passar a ser só metade, por causa da outra, inevitavelmente o relacionamento ficará capenga.
    Outra coisa muito grave, na minha opinião, é esse sentimento de posse. Mas eu tenho uma teoria de que quem é desconfiado demaaaaaais assim é porque, no fundo, esconde alguma culpa. Na cabeça da pessoa funciona assim: “se eu sou/fui capaz de fazer essas coisas, por que ela não seria?”.
    Além do mais, ainda que a desconfiança seja infundada – suponhamos que seja APENAS insegurança -, sentimento de posse não é amor. É egoísmo. Quando a gente ama alguém, a gente quer que essa pessoa seja feliz, acima de tudo, ainda que nós não sejamos a única razão para essa felicidade.

  • Paula disse:

    Ola meninas!

    Mayara, adorei seu comentario e um dia desses eu li algo que dizia realmente isso, que as pessoas sao espelhos do que temem, ou seja, quando muita desconfiança existe pode sim haver algo por tras disso. Descubro a cada dia que, quando gostamos de alguem, precisamos deixar a pessoa ser feliz tb, do jeitinho dela, e respeita-la, sem duvidar, sem criticar, sem remoer coisas do passado. Quem ama cuida, e para cuidar nao necessariamente precisamos abrir mao de nada, temos que ser quem realmente somos.

    Adriana, fico feliz que tenha se identificado, sabe por que? Pq nesses momentos dificeis a gente acha que ninguem passa pela mesma coisa, que fomos os “escolhidos” e que ninguem vai nos entender. Mas existem sim pessoas que nos entendem. Ame-se sempre em primeiro lugar e jamais permita que alguém lhe falte com respeito, pois por mais sem querer que seja, nao é legal e todas as mulheres merecem respeito sempre né? Força querida! E obrigada pelo post :)

  • heidi disse:

    Verdade tudo isso aí.
    O amor sozinho não dá conta da barra que é segurar uma relação.Muito antes do amor, deve de fato vir o respeito.Mas não me pergunte oque se faz quando ele deixa de existir e o amor ainda fica ali, firme…acreditando…

  • Diego Fávero disse:

    Muito bom esse texto!!!

  • magmeg disse:

    É um alívio poder observar as histórias que de repente nos enxergamos parte nela.O amor liberta aprendi isso muito cedo, é difícil se “educar’ pra tal coisa, mas chega um dia que tudo se apresenta de outra forma e ai sim…Estamos prontas para sermos donas do nosso destino, do nosso sim e não.Parabéns e seja muito, mas muito FELIZ!!

  • MIrelle disse:

    Texto incrível… já vivi uma situação parecida e também optei pelo fim do relacionamento, para evitar que chegássemos na fase “desrespeito”… nada como o amor que confia, o amor que permite viver e ser livre.

  • Ana C. disse:

    Nossa muito bom e muito obrigada por compartilhar tua história com a gente. Me identifiquei muito, ele também era galinha e mudou para ficar comigo, só que a ciumenta, neurótica que fica imaginando coisas absurdas na relação sou eu. Não chegamos na fase do desrespeito um pelo outro, pelo contrário, nunca brigamos é somente conversas. Acho que ainda consigo reverter esta situação e parar de ser assim, confiar nele e aceitar que ele gosta realmente de mim e que todo o meu ciúmes é loucura da minha cabeça. Decidi mudar antes que meu relacionamento termine e eu perca a oportunidade de viver uma relação feliz ao lado de alguém que eu amo e que me ama também. Obrigada por eu me ajudar a ver o quanto estou errada. =D

  • Mayara disse:

    Ana, eu sempre parto do seguinte princípio: a gente confiando ou desconfiando, se ele quiser fazer algo errado, vai fazer. A diferença é se nós vamos morrer pensando no “talvez” ou vamos dormir bem.
    Além do mais, conheço casos em que o ciúme exagerado levou a outra pessoa, que era corretíssima, a se encher o saco e realmente começar a trair… afinal, já estava levando a fama mesmo…
    Triste, né…
    Mas acho que a história da Paula serve de lição para todos nós!!

  • Juliane disse:

    “há coisa mais bonita no amor, que, apesar de termos asas e podermos voar para onde quisermos, sempre voltamos para os braços daquele alguém por vontade própria?”

    se não é assim, a gente não tem nada!
    Amei o texto INTEIROOO!

    Beeijo

  • tata disse:

    eu quero dizer uma coisa para a Paula
    Espero que tudo de bom possa acontecer pra vc . Espero que tudo de bom possa acontever para qualquer pessoa que admita onde errou, e com humildade viu esse erro, e quer fazer alguem feliz. Espero do fundo do coração que a vida de nova chance a vc e ao amor que aconteceu em sua vida.
    Que vc seja muito, muito feliz, agindo positivamente, vai alcançar seu sonho de construir uma família.
    ´´
    Acredito que quando alguem desabafa, fala que está com o coração partido, a gente não só aprende uma lição mas deve algo a essa pessoa que nos ajuda tanto a ver e evitar os erros numa área tão importante das nossas vidas, como a emocional.
    Que Deus nos ajude a todos
    Um abraço

  • carolinaaa disse:

    Viver desta forma não é saudavel , sei que amamos muito e não queremos perder , ” a pessoa que pensamos ser o amor de nossas vidas”. mais oque nos faz perder e essa nossa sede de amar sem ver que o outro necessita de um espaço para viver , depois de 1 ano e 8 meses de namoro .. e 3 semanas que terminamos eu vi que dessa forma ning é feliz !
    Me identifiquei muito com texto por ter sido assim todo o meu relacionamemto ..

    o amor não é a base e sim o topo. Para atingirmos o topo, precisamos construir os primeiros níveis: confiança, respeito e dignidade.

    Parabéns pelas simples e lindas palavras!

  • Stephanie disse:

    Parece que foi escrito para mim…

  • Felipe disse:

    Já estive em um namoro assim, abri mão de tudo por ela, amigos, deixei minha familia um pouco de lado até deixei de fazer coisas que eu gostava pra dar atenção, passei a praticamente viver a vida dela, exatamente como a autora do texto para evitar brigas que julgava desnecessárias, protegê-la, sabia o jeito dela, mas mesmo assim resolvi arriscar, tentar contruir um relacionamento. Depois alguns meses bons e muitos ruins de ciumes exagerado dela, descaso e brigas porque eu não poderia ter nem um pouco de ciumes, privacidade ou sair com meus amigos, terminamos, porque ela queria “se divertir”, conhecer gente nova apesar de gostar de mim, mas “tinha perdido o encanto, não era mais a mesma pessoa que ela conhecera”. Otimo texto que retrata muito bem alguns casos de relacionamentos que mudam da agua pro vinho como um furacão descontrolado sem nós percebermos.

  • Edna Simão disse:

    Para mim a pirâmide do amor é aquilo que ambos concordam e que juntos fazem planos e sonham.. Mais sempre respeitando um ao outro..

  • Fabio Carneiro disse:

    Lindo o artigo sobre as bases de qualquer relação.

  • Ana disse:

    Nossa…fiquei emocionada com este texto…estou justamente terminando um relacionamento de 5 anos por esses mesmos motivos, tirando a parte dele ser galinha…( ele nunca foi )Já me anulei muito por conta dos ciúmes exagerados e agressividade dele quando não faço suas vontades, quando não atendo suas expectativas…Engraçado que mesmo me anulando por ele nunca era suficiente…sempre estava arrumando uma forma de me acusar…de desconfiar…cada vez mais…até que chegou o extremo: agressões físicas!!! No início acontecia só quando ele bebia…então a desculpa era que estava bêbado…agora basta ficar com raiva! Chega!!! Eu me amo!!! Terminou!!!

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