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Alianças, músicos de rua e fast-food

3 junho 2011 22 Comentários       Postado por Cadu

O trabalho de minha Gaúcha exige que ela faça viagens de até cem dias para o exterior. A saudade causada pela distância é amenizada pela tecnologia, conversas usando voip e webcam todas as noites são um hábito.

Atualmente, ela se encontra em Lima, capital do Peru (por favor economizem os trocadilhos entre o nome do país e o órgão sexual masculino). Em uma dessas conversas, um assunto já antigo reapareceu. O diálogo foi algo mais ou menos assim:

Fulana ganhou um par de alianças do noivo. – provoca ela.

Oi? A ligação falhou. O que você falou? – eu mentindo descaradamente.

A verdade é que – aprendam meninas – os homens não conseguem aceitar bem o que não entendem, e eu particularmente não entendo alianças. Sempre que exponho essas ideias, tenho a impressão de que vou apanhar do público feminino do blog, mas eu explico:

Um compromisso, seja ele noivado, casamento, namoro, é um convênio entre duas pessoas, e só diz respeito aos membros desse convênio. Então, por que precisamos de um sinal externo de um compromisso particular? Para exibir aos outros? Para dizer “não mexe comigo porque tenho um compromisso”? Eu não sei. Por isso, eu nunca havia comprado as tão desejadas alianças. Assumi que seria sempre sincero nesse relacionamento, e segui por esse caminho.

No entanto, com a distância e a saudade me deixando mais mole e sentimental, resolvi que podia dar o que minha companheira de jornada queria. Liguei para uma amiga que vou chamar de N* para manter uma certa privacidade, convidei-a para almoçar e disse que precisava de ajuda com algo. Quando ela chegou, perguntei quanto ela tinha de altura e segurei em suas mãos e observei o tamanho delas. Como N* já conhecia minha história, entendeu tudo.

Almoçamos e depois começamos a andar pelas lojas do shopping. Encontramos o modelo certo, tamanho, preço, tudo certo. Vou ao caixa e retomamos o assunto sobre o porquê de as pessoas usarem alianças. N*, curiosamente, pensa como eu e falou:

Por que precisamos de um sinal externo de um compromisso particular? Para exibir aos outros? Para dizer “não mexe comigo porque tenho um compromisso”?

Olhei para ela enquanto a moça no caixa da joalheria esperava eu entregar o dinheiro, e respondi:

N*, você quer mesmo ser responsável por eu não comprar essas alianças? – ela riu. Depois de comprar as joias, voltei para o trabalho.

Quatro dias depois, eu estava pegando um avião para Lima. Depois de uma viagem cansativa, nós nos reencontramos, almoçamos juntos e começou o meu dilema da escolha e modo de apresentar o presente e tudo que ele significaria. Durante o almoço, pensei: estou cansado, mas eu gostaria de fazê-lo logo. Estava ansioso. Quando comecei a pensar sobre o que falar, uma trupe de peruanos entrou tocando instrumentos a um volume tão alto que eu não conseguia ouvir minha própria voz. E deixei para uma próxima oportunidade.


Na trave!!! Mas ainda não foi dessa vez!

À noite, saímos para caminhar. Como Lima é uma cidade litorânea, logo pensei na praia. Caminhamos até a orla e vi uma praia distante, escura e cheia de pedras. Estava mais para cenário de filme de ação que romântico. Continuamos caminhando e conversando sobre o idioma, sobre política, e chegamos a um centro comercial. Um local que devia ter um bom restaurante, algo íntimo e romântico, um local para ficar marcado na nossa história. Então, falei:

Estou com fome, vamos jantar.

Ela concordou. A primeira sugestão dela: “vamos comer no Burger King“. Vejam bem, adoro essa rede de fast-food, mas alguém aí faria um pedido de casamento em uma franquia dessas, enquanto come um sanduíche duplo com bacon? Sugeri continuarmos procurando. Para minha agonia, o tal centro comercial só tinha fast-food, e eu comecei a ficar com fome de verdade. Eu queria um lugar realmente especial, no mínimo bacana, e só encontrava bancos com mesas anexadas e adolescentes falando espanhol.

Como eu continuava a rejeitar todos os locais, resolvi que precisava ser mais especifico: “Quero um lugar romântico“. Então ela falou de uma rua que tinha vários restaurantes. Começamos a caminhar. Eu devia ter perguntando a distância dos tais restaurantes e, ao constatar que era longe para caramba, sugerido um táxi, mas eu estava com outro assunto dominando todos os meus pensamentos.

Passamos em frente à Igreja da Virgem Milagrosa, um lindo trabalho de se ver que fica localizada entre a Praça Kennedy e a Praça Central de Miraflores, um local curioso porque, diferente da maioria das praças, não possui cachorros ou pombos de rua, mas sim gatos de ruas. Centenas deles, que são dóceis e ficaram olhando eu passar de mãos dadas com minha gaúcha e com uma fome agora genuína. Finalmente encontramos um restaurante, uma moça falando um espanhol tão rápido que poderia ter me ofendido em português e eu ainda não entenderia ofereceu-nos uma cortesia de pisco sour, uma bebida típica local. Agradecemos e entramos no restaurante.

Eu estava nervosamente manipulando as joias no bolso da jaqueta, e perguntei a ela enquanto jantávamos o que eu tinha mudado na vida dela. A lista foi longa, mas resumidamente ela falou sobre como a visão dela sobre o mundo havia mudado, como ela tinha se tornado mais calma e paciente. Pensei em falar que “paciência para esperar alianças ela não tinha”, mas isso não seria romântico. Falou sobre um casal de velhinhos do seu trabalho e que se via no futuro comigo. Destaquei que provavelmente vou ser um velho insuportável e ela disse que não haveria problema.

Ela me devolveu a pergunta, respondi que ela me fazia querer ser alguém melhor, que com ela eu queria sempre crescer. Ela fez uma piada sobre a palavra crescer e meu ganho de uns quilos a mais e então meu pensamento sobre paciência nem pareceu tão ruim assim.

Então perguntei: “Quer se casar comigo?” Ela respondeu sorrindo, sem levar muito a sério “Claro que quero“. Então, saquei a aliança do bolso e mostrei para ela, que olhou com cara de “de onde saiu isso?“. Respondi que tinha roubado de uma vendedora ambulante no caminho, ela nem ouviu, coloquei em seu dedo e contei a ela toda a historia que acabei de contar para vocês nas linhas acima, incluindo a parte que a nossa amiga N* quase estragou tudo e que isso iria virar um post para o Diário de Casal.

Promessa feita é promessa cumprida!

O Cadu é parte da equipe do DdC a algum tempo, mas também tem seus ‘projetos paralelos’ que merecem destaque: O No Improviso é um deles. O outro a gente inclui aqui quando ele me passar o link certinho. :P

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22 Comentários      Postado por Cadu
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22 Comentários »

  • N* disse:

    Não podia deixar de vir comentar e dizer que fui a responsável por quase fazer o Cadu desistir de comprar a aliança e a Gaúcha a não ganhar a tão sonhada aliança! Sim, fui eu e não nego. Fiz parte da escolha das alianças, faço de uma fase que torço para ser eterna enquanto dure e fico muito grata por isso!

    Com um bom toque de humor, o texto ficou maravilhoso!

    E eu sei que se eu realmente tivesse estragado tudo, quando a Gaúcha chegasse, eu seria uma mulher morta e como eu admiro muito a minha vida, fiquei bem quietinha mesmo acreditando fielmente na minha teoria sobre alianças e compromissos.

    Adoro vcs!

  • Isabela Martinez Milanezzi disse:

    Que lindo!
    Pois é, eu também compartilhava essa opinião com alianças. Um ano de namoro e eu ainda achava a idéia como algo de quem quer “marcar território”. Meu namorado, no entanto, me convenceu de que a aliança não é (só) para os outros, é pra gente mesmo, pra olhar e lembrar que você tem alguém que ama junto contigo, em qualquer lugar. Além disso, ele veio com um papo de que a aliança carrega a energia do relacionamento, e bla bla bla.. aí já viu, né? Cá estou eu de aliança (mas só namorando), linda e loira! hahahahaha

    Parabéns pela história, e pelo bom senso de não pedi-la em casamento no Burger King, conheço homens que o fariam sem o menor peso na consciência! hahahaha

    Bjs

  • Ly disse:

    Chorei! Chorei de emoção por ter vcs dois tão dentro do meu coração!!!
    Aii que lindo!!!!

  • Juliana Salles disse:

    Linda história!!

    Toda felicidade do mundo ao casal!!

    Beijos

  • N* disse:

    Ainda acredito que não preciso de algo físico para me lembrar de alguém que quero bem e ao meu lado. Não tenho isso com meus amigos que são extremamente preciosos e muito queridos, pq teria com um namorado ou marido? Não julgo quem goste de usar a representação, mas não acho necessário e o que vale é o respeito e a cumplicidade, não algo material.

    Sim, são opiniões!

  • tati disse:

    cadu, Gente criativa merece parabéns em dobro! rsrsrs, queria ter visto a cara da noiva =D

  • Patricia disse:

    Owmmmm que lindooooO! Tbm qro assim!! =) Felicidadess ao casal!

  • Mariane disse:

    Eu espero que a N* não se surpreenda se eu der um soquinho (de leve, sem quebrar nada) da próxima vez que encontrá-la. Pela minha prima, que não teve como argumentar!
    Eu adoro alianças. Tenho várias guardadas lá em casa, inclusive.
    Prima, espero que tu não tenhas que guardá-la!

  • Marília disse:

    Aeeeeeeeeee, bora pagar uma festa pra família!
    Que putaria é essa de noivar à distância?

  • Milady disse:

    Mas, sério mesmo… pra mim vocês dois já estavam casados!! =D Enfim! rsrs

    A aliança mais importante está sempre no coração! E mesmo que para uns a simbologia não seja lá tão importante (eu mesma, confesso rs), a sensibilidade de perceber o valor disso para o outro e tornar importante para si, mostra o verdadeiro compromisso!

    Fico feliz por vcs e por participar de tantos momentos gostosos da vida de vcs como casal!

    Beijos e felicidades mil!

  • Carla disse:

    Parabéns, adorei vcs merecem muitas felicidades, não é porque vc seja meu irmão claro, mais torço muito por vcs, AH e quero conhecer minha cunhada né, rsrsrrs, Beijos

  • Ana disse:

    Que linda essa história. Sabe, eu sou um pouco como ela. Doida para noivar e casar. USAR ALIANÇA… Já tenho um ano e um mês de namoro, mais já acho legal esses pedidos surpresas. Faz a mulher se sentir especial.
    Beijos.

  • Joy disse:

    Adoreiii o relato…. o bom humor do Cadu sempre presente!!! Serio queria ver a cara da minha amiga qdo viu as alianças…outro dia mesmo estavamos numa discussão sobre isso!!! Fofooo…e parabénsss!!!

  • pamela disse:

    caracaaaaaaaaaaa, dessa e cadu, q coisa mais muniiiiiiiiiiiiita!
    tao de parabens…adorei o post!
    felicidades, sempre!!!

  • Kamis disse:

    Mais felicidades ao casal!
    E Cadu, parabens a voce em especial, por ter cedido a algo de extrema importancia para ela (sem merito dos porques)… Ter esse desprendimento ao analisar as questoes dos dois enquanto casal e que faz toda a diferenca! ;)

  • N* disse:

    Mari, relaxa! Não precisa me dar uma porrada! Foi por pouco, mas acho q se tivesse argumentado 15 segundos a mais, a Gaúcha não teria ganhado essa aliança, pelo menos não agora! kkkkkkk

    Mas sempre serei feliz pelos dois!

  • Josi Karla disse:

    mas q liiiindo Cadu… tbm imagino a cara da Dessinha, respondendo: claro q quero…

    muitas e muitas felicidades… adoro vcs…
    BJus

  • Izabelle disse:

    Se o caso fosse tratar toada a questão apenas:

    “- Por que precisamos de um sinal externo de um compromisso particular? Para exibir aos outros? Para dizer “não mexe comigo porque tenho um compromisso”?”… De certa forma compreendo, mas acho estranho, ainda mais por conhecer algumas histórias que não veem ao caso comentar de quem possui esta opinião.

    Fora o simbolismo/convenção social com que o assunto foi tratado, acredito na parte holística da coisa! Agora vamos para cientificidade da coisa, como acupunturista: no ponto que a alinaça toca é o estimulador da região neocortical do cérebro que traz uma resposta mais analítica ou adequada aos nossos impulsos emocionais, modulando a amígdala e outras áreas límbicas.

    Mudando para teorias mais “bonitinhas”
    Outra teoria chinesa que adoro é: http://www.casamentoecia.com.br/index.php?option=com_curiosidades_home &content=outras&id=1265
    Os romanos acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia (veia d’amore) que estava diretamente ligada ao coração, costume carregado culturalmente até os dias de hoje.
    ________________________________

    Contudo,independente da polêmica em torno das alianças estou felicíssima por vocês! :D Como “Ly disse: Chorei! Chorei de emoção por ter vcs dois tão dentro do meu coração!!!Aii que lindo!!!!”
    Muitas felicidades sempre!

  • Karina disse:

    Ótimo texto Cadu, como sempre. Minha aliança fica na gaveta porque tenho agonia de aneis mas o digníssimo gosta de usar a dele.

    Ah perdi a minha quando ainda usava. Coloquei o curso inteiro de arquitetura pra procurá-la e achamos numa lata de lixo junto com os papeis da maquete que eu tinha jogado fora. hahahahahahahahaha Sou muito lesada.

  • Cadu (author) disse:

    Nossa Karina to com medo de fazer isso com a minha, tb tenho essa agonia e vivo tirando do dedo e brincando com ela, vou acabar perdendo se não me controlar

  • rosana disse:

    Linda a história de vocês, embora eu tambem partilho da opinião de N,
    acho super legal quem tem a coragem de assumir ao mundo o seu amor, mesmo não necessitando de marcas para isso, mas o fato de entender e respeitar a opinião da sua companheira já mostra o tamanho desse amor, que vocês vivam intensamente a relação… quero conhece-lá…

  • Carla disse:

    Achei linda a história. Mas a dúvida que não quer calar: Cadu, você mudou de ideia sobre as alinaças?rsrsr
    Sei lá, muitos dizem que é só algo material e que a mulher deveria dar atenção a outras coisas… Concordo. Mas dar atenção a outras coisas mais importantes não significa não dar importância também á aliança. Eu acho lindo esse rito. Acho que faz o homem realmente pensar se quer ou não algo mais sério. Faz pensar tanto, que a maioria demora anossss para tomar essa atitude. E depois de tomada, vira de fato, uma segurança muito maior para mulher…
    Sim, eu sou romântica! E desejo muito que minha hora chegue, mas não forço a barra ( não forço mais).Justamente por saber que o homem deve pensar seriamente se quer ou não dar um passo mais sério… E simmm! A maioria das mulheres ( pelo menos as que eu conheço) enxergam nisso uma das grandes demonstrações de amor, principalmente quanto pegas surpresas. É sim expor ao mundo os planos, o amor dos dois.E que mal tem? Todo mundo quer expor algo… deixe nós ( adoradores de aliança..rsrsr) expor através das alinaças ( com tantos significados especiais) o nosso amor pelo outro…
    Parabéns, Cadu! Mesmo que ainda não tenha enxergado as alianças como algo importante, saiba que o mais importante foi ter feito sua noiva se sentir feliz com uma coisa diferente e que ela tanto desejava…Isso é amor… fazer o outro feliz….
    Beijos, beijos!

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