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“Enche a casa de flor, que eu tô voltando”

23 maio 2011 10 Comentários       Postado por Ele / Ela

Por: Camila VB

Em uma tarde chuvosa de domingo, dia 07 de setembro de 2010, estava eu enfurnada num quarto de hotel horrendo e já tinha desistido de chamar mais alguém para almoçar: ninguém podia. Daí fiquei fuçando na internet e fui até um site de relacionamentos. Fiz minha inscrição e fiquei viciada no negócio. Fazia buscas e buscas, ora querendo homens de determinada altura, que morassem em qualquer lugar do Brasil, ora querendo divorciados, ora querendo encontrar algum dinamarquês…Nem eu sabia que status de relacionamento queria, por isso lancei amizade, mas fui a fundo. Me diverti muito com as bobagens que eu lia.

Um dos itens do meu perfil era justamente não tolerar erros de português e o que eu encontrava…Algo como “quero uma mulher CINCERA“! Numa dessas buscas, vi um homem muito parecido com meu ex-marido, mas que sabia que não era ele, que jamais entraria nesses meios. Mandei-lhe uma mensagem. Vi que ele leu, mas não respondeu. Tudo bem, deixei passar (eu costumava cobrar respostas às mensagens que mandava). Em outras buscas (eu fiz muitas mesmo), o perfil dele aparecia novamente (estava em busca de engenheiros, pois só conhecia advogados) e escrevi mais uma vez. Desta vez, escrevi mais detidamente, falando das preferências que ele tinha lançado no site. Nada de resposta. Num outro dia, vi que ele olhava meu perfil. Mandei uma mensagem instantânea “vai ficar só olhando ou vai dizer alguma coisa”. Eis que ele me responde.

No meu perfil eu já dizia que era birrenta, marrenta e de personalidade forte. E ele me respondeu que “nossa, vejo que você não exagerou nenhum pouco na sua descrição!”. Blá-blá, depois de uns 10 e-mails combinamos de nos encontrar. Eu passei meu telefone e disse para ele me ligar. Ele deixou recado na secretária eletrônica do celular. Era um final de semana prolongado. Para ver se ele tinha os mesmos hábitos diurnos que eu, marquei um café da manhã, domingo, às 09h. Ele topou. Nos encontramos e a conversa foi ótima. Falamos de casamentos desfeitos. Desabafos. Gostos. Ambos falamos de contos da Clarice Lispector. Despedimo-nos com aquele jeito de “vamos nos encontrar de novo?”.

Saímos no dia seguinte, ao cinema, ver um filme que ele indicou no lugar e hora errados…Fomos a outro cinema, já tinha dito a ele que filme para mim era para ser visto. E que eu adorava pipoca. E que eu não dividia. Ele me comprou um sacão de pipoca e uma coca-cola. Vimos um filme nacional que justamente contava a história de…Separação! Nós, recém separados (no mesmo dia), vendo um filme assim. Não pude deixar escapar o comentário “que filme super adequado!!!”. Filme acabado e a pergunta: o que fazemos agora? “Vamos dançar?”, Aceitei. Mas numa 2a feira véspera de feriado, às 19h, ainda era zona Azul e não havia lugares abertos…

Fomos tomar um café, depois fomos a um boteco com samba de roda, e conversa, depois jantar, ele dando um passo à frente e eu dois atrás…E no final ele me deixou em casa. Nada ainda. Fui viajar no dia seguinte e no outro dia ainda eu escrevi um e-mail mandando o conto da Clarice de que eu tinha falado (“Felicidade Clandestina”) e dizendo que contabilizei 12 horas de conversa no nosso último encontro. Tinha ligado para ele, para saber se tinha sobrevivido, mas deu caixa. Ele me respondeu depois, dizendo que “imagina, 12 horas falando com você foram ótimas, quero repetir, adorei o conto, hoje em dia a disputa seria por um jogo eletrônico e não um livro, olha aquele conto de que eu te falei. Na 6a feira, me liga quando vc chegar e escolha o programa. beijo”. Eu respondi que eu já tinha entrado em contato, já tinha intimado, já havia escolhido os programas anteriores, agora eu como uma mulher moderna à moda antiga, cujo feminismo acaba no primeiro pneu furado, queria que ele me levasse.

Combinado, ele passou para me buscar em casa. 1000 pontos no currículo: Eu estava na portaria do prédio esperando, ele chegou. Estava chovendo. Ele desceu do carro para abrir a porta para mim, debaixo de chuva! Fomos ao lugar escolhido, com música ao vivo. E tudo caminhava para mais 12 horas de conversa, quando o engenheiro nerd do tipo que eu gosto, me pegou pela cintura com firmeza de quem sabe o que quer, mas a delicadeza que só ele tem, chegou bem juntinho e me deu um beijo maravilhoso. Daqueles que nos fazem levitar, nos fazem pensar já nos acordes da Marcha de Mendelson ou “onde estávamos nós que não nos havíamos nos beijado antes”…

Daí os encontros tornaram-se frequentes aos finais de semana e algumas visitas surpresas no meio da semana. Muitos bilhetinhos escondidos pelas casas de um e de outro. Eu tinha dito a ele uma vez que perdia muitas tarrachinhas de brincos. No meu aniversário, ele me deu um par de brincos com 100 pares de tarrachinhas. Num dia, coloquei em baixo do travesseiro dele a canção do Vinícius de Morais e Edu Lobo “Minha Namorada”, mas adaptada para “Meu lindo Namorado”, para pedi-lo em namoro.

Na noite que antecedeu meu aniversário, fomos a um karaoquê e nos divertimos muito. No dia seguinte ele encheu meu espelho de post its para dizer que a noite tinha sido maravilhosa, como tantas que ele ainda esperava ter. Quando voltei para casa, após uma corrida de 10km, havia uma orquídea me esperando. No ano novo, mandei entregar uma plantinha (“dinheiro em penca”) e uma biografia da Clarice, para uma dança flamenca ou uma felicidade clandestina.

Flor
Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor, que eu to voltando!

Na 1a semana do ano, fui viajar e um dia antes de voltar, mandei entregar uma rosa com aquela música “põe um bom defumador, enche a casa de flor, que eu tô voltando”. Todos os dias, mandava algum verso de uma poesia de amor, via sms ou e-mail.A primeira vez que eu disse a ele que o amava foi com a letra da música “Eu preciso dizer que eu te amo” escondida no meio do notebook dele.

Acho que o segredo que não fez nossos casamentos durarem é a famosa “regada no jardim”. Tudo bem que comparar namoro ao casamento é injusto. Mas o casamento começa num namoro. E com duas experiências desfeitas,uma pra cada lado, sabemos onde erramos, onde acertamos e o que queremos. Por isso que há uma semana, mandei a ele esta mensagem. E é com ela que me despeço de vocês. Ele que a definiu como a maior declaração de amor que já recebeu. E porque, apesar de ridículas,porque não saem do lugar comum, as cartas de amor são precisas.

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10 Comentários      Postado por Ele / Ela
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10 Comentários »

  • tati disse:

    Hhahahah, que mulher de gênio forte! Mas parabéns, o romantismo não morreu.

    E concordo, erros de portuguêsio são de arrepiar o.O

  • Juliane disse:

    Como é bom começar a semana com uma linda história…adorei..linda linda.

    Parabéns!

    obs. Adoro Clarice Lispector…me identifico com tudo que ela escreveu.

    =)

  • Isabela Martinez Milanezzi disse:

    Lindo!
    Eu costumava ser daquelas pessoas meio “desligadas” sabe? Daquelas que pensam que o amor não precisa ser regado, só se ama e pronto. Para minha sorte, há quase 2 anos atrás, um grande homem (além de um menino romântico) me mostrou que amor é como flor: é importante cuidar todos os dias, e lembrar todo dia o quanto se ama faz um bem danado. Aliás, registro aqui meu obrigada a meu namorado maravilhoso.

    Parabéns pelo blog, sou fã!
    Bj

  • Nina disse:

    Linda história de amor Camila.
    Sei bem a falta que fazem essas regadas no jardim.
    Que sua história continue ainda mais bonita.

    Boa Sorte!

  • Isabela Fornazier disse:

    Nossa, adorei! Muito linda sua história! Está aí a prova de que o romantismo se manifesta de diferentes jeitos em cada casal, o que não pode é faltar romantismo em um casal.
    O mais interessante é que é um namoro de site de relacionamentos que realmente deu certo, o que é raro, né? haha
    Desejo toda sorte e felicidade do mundo aos pombinhos.
    Beijo!

  • mariana disse:

    Eu te amo por ser tão sensível e chata, parabéns engenheiro por ter o privilégio ser amado por esta “pequena grande mulher”.
    Agora é só esperar pela próxima etapa, felicidades ao casal :)

  • Poliana disse:

    Cá, sabe a minha reação ao assistir ao clipe do Eduardo e Mônica? Exatamente a mesma ao ler “a vida como ela deve ser” versão “Camilla e o seu Engenheiro”. Pois é, a durona aqui na realidade é uma manteiga derretida. Fico enternecida pelos atos recíprocos de cuidado, carinho, atenção e respeito que fazem parte da convivência de vocês e tenho a desejar a ambos, entre outras coisas, longos e longos anos felizes compartilhados. Espero sempre estar perto para acompanhar o que acredito que é sua felicidade merecida, amiga.

  • Adriana Armond disse:

    Ca, vocês são demais! Mal comecei a ler, já estava chorando, emocionada… Eu me lembro sempre do dia em que conheci você, sozinha, e depois quando a vi ao lado do seu “engenheiro tudo-de-bom”! Na hora, eu vi que são feitos mesmo um para o outro. E lembro que falei pra Poli que eram muito fofos juntos!!! Adoro vocês! Beijo!

  • Sandra disse:

    Ca,que bom que vc esta feliz e posso ver que esta vivendo uma fase muito bacana. Tenho certeza que agora, mais madura, com mais vivencia, você sabe o que quer e assim é mais fácil de conquistar os seus objetivos na área do amor e da família. As escolhas estão todas em suas mãos e assim você é livre para viver a vida congruente com suas crenças e valores.
    É importante falar que nós somos o grande autor de nossa própria vida.Busque sempre sua felicidade.
    Conte comigo.Um grande beijo

  • keila disse:

    Gostei muito do conto. Muito boom. Parbéns :D

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