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Fim da escuridão: “O que aprendi controlando meus relacionamentos”

14 setembro 2010 6 Comentários       Postado por Rafael R

Enviado por um leitor que preferiu, por motivos óbvios, não se identificar. Os nomes com * ao lado são fictícios. Leia o primeiro post dessa série aqui.

Diante da repercussão de meu post anterior e das lembranças recentemente revividas em minha mente, volto a escrever um pouco mais sobre o assunto de privacidade no relacionamento. Não sou alguém excepcional, com inteligência exorbitante ou mago, mas tenho habilidades que fazem com que eu me veja diferente dos demais em meu meio. Exemplo disso é uma certa “capacidade” de diagnosticar mentiras contadas dentro do relacionamento. Vou transcrever uma certa ocasião, em que me deparei com a mentira em um relacionamento anterior:

Diante de um relacionamento pífio, ao ligar para minha companheira ocorreu o seguinte: seu priminho de 11 anos passava férias na casa dela e atendeu o telefone, a conversa se deu mais ou menos assim:

– (depois do alô de voz infantil) Alô, poderia por favor chamar a *Paula?

A Paula, não está. Ela saiu com o *Léo.

– (Surpreso) Agradeci e desliguei o telefone.

No meu primeiro contato com a *Paula, aguardei que ela mencionasse algo sobre o ocorrido. Sem sucesso. Depois de algumas outras três oportunidades de conversa, toquei no assunto e com extrema polidez (outra capacidade que tenho de agir com frieza), questionei a mesma sobre esse passeio incomum.

PinóquioEla me respondeu exatamente como se segue:

(depois de um ar surpreso)
– “Ah eu sai com o *Léo e com outras duas amigas minhas, fomos pegar um cineminha básico.

Ainda sustentando a frieza, me contive e me dei por convencido.

Porém, sou um cara extremamente calculista e observador. Analisando o episódio, destrinchei a falta de perícia em contar uma mentira. Ela não cita o nome das duas amigas, ou seja, elas nunca existiram. O cineminha básico não era programa comum, até porque, até onde eu a conhecia, ela não demonstrava interesse nenhum por filmes. Mas enfim, mentira exposta e comprovada (posteriormente), toco na questão da falta de capacidade das pessoas em não transmitirem confiança (tópico mais citado em todos os coments de meu último post).

Como observo e lido muito bem com isso, ao me questionarem eu diria o seguinte:

Ah, saímos *Léo, eu, a *Fernanda e a *Marcela, estávamos fazendo trabalho de faculdade (ou outra atividade que melhor se encaixar na rotina) e decidimos ir ao cinema do shopping Cidade assistir um filme. Assistimos SALT, um filme da Angelina Jolie em que a história conta que ela é bla bla bla. Depois fomos tomar um Milk shake no MC Donalds e viemos embora.

É óbvio que eu criaria todo esse universo de informações contando com uma boa parcela de gestos e linguagem corporal, citaria detalhes, chamaria opiniões de minha parceira e assim sucessivamente. Seria um estória tão rica em detalhes, tão chata de se ouvir que a pessoa (desde que não tivesse motivos para desconfiar em mim) estaria completamente alienada em minha fábula. É óbvio também que esse tipo de habilidade e controle não se constrói da noite para o dia. É parte de um processo longo e duradouro de engenharia social.

O que eu quero passar com essa história (verídica, diga-se de passagem) é que, respondendo a alguns coments do post anterior, a confiança é como um cristal. Uma vez partido não há outra forma no mundo que não consiga uni-lo. Confiar em alguém não é simplesmente se olhar no espelho, estufar o peito e dizer: – Eu confio! – mas, sim contar com uma gama de aparatos que contribuam para que aquela confiança seja mútua e verdadeira.

Eu particularmente sou descrente no maioria do ser humano (e não é caso de me tratar, mas sim de experiências vividas e meios abraçados) e dificilmente eu me dou por convencido em uma estória mal contada. Confesso que atualmente me envolvo com uma garota e esta, não tem experiência com relacionamentos suficiente para saber como se comportar. Confesso que em grande parte das vezes ela comete pequenos deslizes que me fazem refletir se realmente eu estou apto a passar por tudo isso novamente. Mas ao mesmo tempo que sou descrente na capacidade do outro em me surpreender, confesso que me sinto desafiado em provar para eu mesmo que esse outro pode contribuir ainda mais com aperfeiçoamento, a facilidade em não ser eu mesmo.

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6 Comentários      Postado por Rafael R
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6 Comentários »

  • Mayara Godoy disse:

    É… confiança é uma coisa tão difícil de ser conquistada, e tão fácil de ser quebrada.
    Concordo com você que a gente não apenas “decide” confiar, mas essa confiança vem, em primeiro lugar, das atitudes do outro, e depois da nossa segurança individual.
    O caso relatado pelo leitor no post anterior obviamente é um exemplo drástico, mas conheço muita gente que, em proporções menores, também invade a privacidade do outro, ou fica sufocando com perguntas, até chegar ao ponto de a relação se tornar insustentável.
    Coisa difícil esse tal relacionamento!

  • thays disse:

    Essa historinha do cinema é das piores. Caso ela ainda falasse o nome do filme, não por acaso deixaria “escapar” rapidamente. Imaginou os dois irem ao cinema assistir o “tal” filme que supostamente ela já teria visto (?) No mínimo ela não se lembraria da “mentiria” e seria pêga no ‘pulo’ pelo boyfriend. #complicado ein!

  • Thaise Pregnolatto disse:

    Vários especialistas em comportamento dizem exatamente o contrário: quanto mais uma pessoa inventa e floreia uma história, maior a chance dela estar mentindo…

    Eu desconfiaria na hora de uma história com tantos detalhes assim.

  • Diego Fávero disse:

    porra vc escreve mto bem.. deveria escrever sempre aqui!

  • Camila disse:

    Olá!
    Sem querer ser chata, mas controlar o relacionamento dessa maneira não me parece saudável!

    Claro que uma relação só continua se houver confiança, mas ficar encanado prestando atenção em cada movimento do companheiro é demais!

    Mas cada um age como acha certo né…

  • didi disse:

    realmente o autor do post escreve muito bem…quanto ao fato, difícil saber, né ? acho que a confiança é o item mais complexo de um relacionamento, porque, em razão da moral judaico cristã que nós foi e nos é, culturalmente imposta, valorizamos demais a fidelidade, até mesmo em detrimento da lealdade…eu afirmo isso sendo racional, mas claro, indo pro campo emocional, a situação passa a ser bem outra, e me transformo igualmente em presa fácil dessa cilada que os padrões culturais nos impõe…

    analisando superficialmente a questão, também concordo que muitas explicações e justificativas para um fato, podem, na verdade, estar escondendo alguma intenção pouco ou nada elogiosa…ou não…tudo depende da pessoa que fala e de seu interlocutor…quantas vezes já não contei pequenas mentiras, não pra esconder algo desleal que tenha feito, mas sim, porque fosse algo tão banal, mas que meu ciumento e inseguro namorado à época não pouparia uma briga desgastante.

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