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Liberdade na relação: um desafio saudável

15 janeiro 2009 1 Comentário       Postado por Murilo Netto

Impressionante como a cultura do país, do Estado e das comunidades onde se formam e vivem os casais, consegue influenciar diretamente as relações amorosas entre os pares. Aqui no Brasil, por exemplo, a sociedade, sem perceber, assumiu grande parte da terrível herança cultural dos processos de colonização e independência, pessimamente interpretados e executados, que até hoje rendem manchetes de casos de corrupção, preconceito e discriminação social e racial.

Mulheres submissas, homens machistas e casais egoístas certamente já não são maioria em nosso convívio social, mas também não é exagero afirmar que todos, algum dia, já pensaram em praticar o “pseudo poder”, em abusar da “hierarquia coronelista”, que alguns poucos ainda acreditam existir num relacionamento a dois. Isso, ao contrário do que os solteiros-assumidos promovem, não acontece por culpa do compromisso, da mulher ou do homem. É o inconsciente agindo sobre o que vimos e ouvimos, sobre a realidade que existiu, de fato, décadas atrás.

Talvez seja pela evolução e permanência dessa maldita herança em nossa personalidade que a maioria não consegue entender porque hoje em dia as pessoas, após o casamento, se separam com tanta rapidez. Acontece que felizmente há algum tempo se tornou raro encontrar uma “Amélia” que se dedique integralmente aos gostos do marido e aceite, sem questionamentos, seus inúmeros defeitos. Como também ficou mais difícil identificar um príncipe encantado que assuma totalmente as responsabilidades do sustento da família.

Antigamente, a família que vivia muito distante dessa realidade nada democrática era vista como exemplo de insucesso. O homem que antes fazia questão de proibir a mulher de procurar um emprego, agora faz questão de incentivar a divisão dos gastos da família e vice-versa. Ou seja, ao se deparar com uma realidade, digamos, diferente das suas respectivas famílias, a situação tende a se complicar.

Nesse aspecto de personalidade da nossa geração, felizmente existiu, sim, uma evolução positiva. A modernidade chegou disseminando paulatinamente o conceito de liberdade. Portanto, cada um de nós já aprendeu, ou pelo menos já ouviu falar, sobre como se defender e lutar por seus próprios direitos. O problema, ainda não percebido por alguns, é que a liberdade, em sua essência, não é o contrário da palavra relacionamento. Os casais, mesmo, acabam por entender que a liberdade é um sinônimo de libertinagem, de falta de compromisso com o outro, e ainda pior: condenam a auto-liberdade ao praticar, por opção, a auto-censura comportamental.

A falta de liberdade no caráter individual de cada parte numa relação a dois é uma constatação de fraqueza e deve ser combatida com muita conversa, que chega através da reflexão sobre o teor desse questionamento. “Amar o próximo como a ti mesmo” é totalmente diferente de “amar o próximo mais do que si mesmo”. Quem deixa de cuidar de si, perde a própria identidade e ainda afasta a outra parte, que por sua vez deixa de reconhecer as particularidades que foram motivo de encantamento no início do relacionamento.

O grande desafio dessa geração, sob o meu ponto de vista, é desmistificar e abolir essa herança cultural, na prática. Cuidar-se mais, cultivar a todo custo os amigos e a família, negar quando for preciso… Ações que podem parecer antipáticas, mas que a longo prazo se mostrarão saudáveis na vida do casal. Para praticar, não existe outro remédio: confiança e muito, muito respeito.

O homem e a mulher que assumem, individualmente, a própria liberdade, sem descaracterizar o conceito do compromisso de um relacionamento, percebem que o ganho é muito maior do que um simples afago no ego. Ser livre, num ambiente em que o amor é predominante, significa evoluir para abandonar pré-conceitos e estereotipos, combater o comodismo intelectual, contribuir para o amadurecimento do casal e, principalmente, ampliar o horizonte sobre a responsabilidade do planejamento familiar.

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