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O fim da escuridão: “Como controlo meu relacionamentos”

24 agosto 2010 19 Comentários       Postado por Ele / Ela

Enviado por um leitor que preferiu, por motivos óbvios, não se identificar. Os nomes com * ao lado são fictícios.

No auge de meus 18 anos conheci a Marcela*!

Um de meus irmãos tinha o costume de viajar a passeio e me encarregava de tomar conta da casa a troco de pequenos pagamentos em dinheiro. Em um desses dias entrei em uma sala de bate-papo telefônica e conheci a menina que até os meus 20 anos jurava que nunca mais a esqueceria. Todos nos, temos em mente a imagem daquele parceiro(a) perfeito(a).

Beleza, inteligência, química e outras características fazem em nosso imaginário a imagem daquele(a) que seriam nossa cara metade ideal. E a Fulana* se encaixava perfeitamente nessa imagem.  Resumindo essa estória – já que o ponto em que quero tocar é a minha infeliz prática corriqueira nos relacionamentos posteriores -, ela terminou comigo. E eu nunca aceitei de forma satisfatória o motivo alegado por ela para o término do namoro (distância entre nós. Se vocês imaginaram cidades a resposta é não! Era distância entre bairros).

Enfim, depois de algumas tentativas sem êxito de reatar o namoro, eu me vi em um mar de angústia.  Poxa vida, como eu pude perder a “mulher da minha vida”. E eu ficava inconsolável com isso.

amorhacker Contando com a introdução acima, eu estava num dia tedioso de trabalho, sem nada pra fazer e eu acabei fazendo o pior. Num ato de rebeldia e imprudência, quebrei a senha do e-mail dela e descobri aquilo que faria com que eu me tornasse um cara totalmente incrédulo no comportamento ético virtual.

Já fui logo aos e-mails enviados e me deparei com um primeiro e-mail enviado ao Pedro*. A primeira frase do email era exatamente como descreverei: “SEI QUE ESTÁ NAMORANDO MAS DESDE JÁ QUERO QUE SAIBA QUE EU TE AMO”. Escrito assim mesmo, em caixa alta. E no decorrer do email ela dizia o quanto esse cara era único, maravilhoso e o porquê dela se aproximar dele e bla bla bla… Fiquei curioso! Como podia um “reles mortal” ser aquilo tudo?

Quebrei a senha do e-mail dele também! E descobri que além dela, ele mantinha contato com outras mulheres também. Era casado e tinha uma filha em SP (estava em BH prestando serviços), e o mais surpreendente, o cara fazia parte de uma rede de pedofilia na Internet.

Fiquei pasmo. Fazendo uma ordem cronológica dos acontecimentos e avaliando comportamentos, aquela estória já se estendia por vários meses. Não me dei por convencido e tratei de verificar até onde iria aquela farsa. Confesso que quebrei senhas e invadi ambientes de diversas pessoas ligadas a ela. Achava necessário me cercar do maior número de hipóteses possíveis para embasar aquele furor todo que eu estava desenvolvendo. E isso se transformou em um vício. Sai tomando o controle de toda a árvore virtual dela e descobrindo os seus podres. Cadastro em sites de relacionamentos, e-mails trocados com uma infinidade de outros caras, esbórnias com a turma de faculdade eram apenas alguns pontos gritantes que me faziam repudiar a sua “privacidade virtual”. O “benefício” era apenas a necessidade de me libertar de todo aquele sofrimento sem sentido.

Assim se deu meu início no mundo de invasão de privacidade nos meus relacionamentos. Já fiz isso com algumas namoradas, ficantes e tal. Mas nunca colhi bons frutos. Sempre me deparava com algo que não gostava, que eu pediria para não ver. Mas é como falam: “Ossos do ofício” não é mesmo?

Era básico! Envolvia-me por mais de uma semana com alguém e já me via na necessidade de “tomar o controle” sobre seus passos no mundo virtual (“erro” que a maioria das pessoas comete com suas necessidades de redes sociais e chats eletrônicos).

Tarefas simples como um chat por MSN e lá estava eu oferecendo ou pedindo um arquivo qualquer. Tudo para abrir uma brecha entre minhas ferramentas e seu valioso sistema cheio de informações.

Com minha última namorada não poderia ter sido diferente. Eu me envolvi com ela no auge de seus 17 anos. Para mim era uma garota excepcional, com seus defeitos e qualidades, maturidade e inocência. Por um ano me mantive oculto. Tinha controle sobre seus emails, Orkut, MSN e demais canais de relacionamento. Até os computadores do trabalho dela eu me senti na necessidade de ter acesso. Em uma de nossas conversas por MSN, enviei a ela um arquivinho “inocente”. Este arquivo estava blindado com uma ferramenta que tem como princípio, “anotar” todas as teclas e tarefas acessadas pelo usuário. Confesso que naquele dia eu tinha explorado áreas nunca antes almejadas por mim. Tive acesso a relatórios gerenciais, planilhas de custos e demais documentos sigilosos da empresa dela que, caindo em mãos erradas, seria óbvio as penalidades aplicadas a ela. Mas era necessário, não conseguia confiar plenamente.

Essa prática foi me consumindo até o ponto em que vivo hoje. Com essa última, o ponto que marcou o fim do nosso namoro foi justamente exposto por mim. Suas peripécias na vida virtual. Confesso que há mentirinhas que se fazem necessárias para uma boa convivência e manutenção de uma relação saudável, mas comigo isso não funciona. Sou impulsivo por informações verdadeiras e fico sem controle quando descubro uma mentira. Já trabalhei para o departamento de inteligência de uma unidade prisional em minha cidade. Obtive acesso e treinamento ao que chamávamos de olhos de Deus. Aprendi como a policia civil utiliza-se de artimanhas para colher a “verdade” de seus investigados. Na faculdade, tomei aula com um professor de Ética que é juiz federal e nos momentos de recreação nos ensinava a como colher a verdade das pessoas.

Linguagem corporal, sentimentos explícitos e palavras mal colocadas tudo isso era utilizado para descobrir o ponto da mentira. Estórias sem detalhes, personagens fictícios e/ou eventos inexistentes, o ser humano titubeia ao contar uma estória fantasiosa.

Aprendi com a engenharia social a ser quem eu não sou. Me adaptar ao meio e transparecer um bom personagem é mais de quê genial para observar tudo que nos cerca. Atualmente eu continuo fazendo uso de ferramentas para controle. Seja por questão de segurança ou insegurança, medo de perder o território ou simplesmente tentar remediar o inesperado. Faz-se necessário os logs de uso do meu relacionamento nessa ferramenta valiosa, a INTERNET.

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19 Comentários      Postado por Ele / Ela
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19 Comentários »

  • Thaise Pregnolatto disse:

    Ok….nem sei bem por onde começar.

    Mas acho que a curiosidade coça… de qualquer forma, é uma questão de escolha. Eu escolhi confiar…

    De qualquer forma, acho que a pior vítima é aquele dos dois que não confia. Quer desespero maior do que o sentimento de PRECISAR vigiar o tempo todo? Deve ser mesmo terrível…

    Nossa, preciso pensar mais sobre isso…

  • Mayara Godoy disse:

    Eu não vejo como um relacionamento pode dar certo, se um dos dois não confia no outro. Só que, neste caso, acho que, mais grave que a desconfiança, é a invesão da privacidade do outro — o que já é desrespeito.
    Como disse a Ise, realmente, a curiosidade coça, mas, é preciso saber controlá-la e raciocinar. Além disso, antes de fazer algo assim, eu me colocaria no lugar do outro: como eu me sentiria se invadissem a minha privacidade? Completamente desrespeitada, é claro, mesmo não tendo nada a esconder…

  • Hévellin disse:

    UAAAAL, QUE HISTÓRIA!!!
    Medo desse cara, hahahaha

    Brincadeida ;D

  • Viviane disse:

    Olha, eu pensei que era um pouco bitolada nesse negócio de internet.. mas, amigo.. você ganhou!

    Brincadeiras a parte, a privacidade num namoro é constantemente quebrada, seja ou não pela internet, apesar dessa ferramenta servir como ótimo uso para acabar com qualquer privacidade alheia.

    Na minha opinião, há certa privacidade num relacionamento que deve ser respeitada.
    Apesar de eu ser um tanto insegura e, podemos dizer, um pouco louca no mundo cybernetico, hoje aprendi a me controlar um pouco devido ao meu relacionamento.
    Nos meus últimos namoros, eu tinha senha do orkut, msn, e-mail, e qualquer coisa mais que pudesse imaginar. Isso me dava uma certa “segurança”, afinal tudo que ele estava fazendo eu podia, de certa forma controlar.

    No meu atual relacionamento a coisa foi um pouco mais afundo. Por não respeitar a privacidade que eu achava necessária ter, acabei mudando algumas senhas, e ele fez a mesma coisa. Confesso que preferia ter tudo aberto como um livro que pudesse folhear a hora que quisesse, mas, como você mesmo disse, são ossos do ofício.

    Temos que respeitar a vontade alheia em relação à privacidade, coisa que cada um vê de uma maneira!

  • heidi disse:

    Bom…incrivel o ponto que vc chegou.
    E sei imagino foi por bobagem que depois viciou e te deixou mais intrigado e mais inseguro e mais seguro.Tudo junto e misturado.Uma certa adrenalina…do tipo…o que será que vou encontrar agora?
    Não conheço nada destes métodos, mas confesso que só de falar, já gosto.Mas sei que é anti ético com a pessoa que esta com a gente.Por momentos, vivi sem confiar.E isso significa desconfiar de tudo.No meu caso, pura insegurança minha.Puro sofrimento.Não é vida!!!
    Mas…tomara que vc esteja, ou encontre alguém, que tenha emails maravilhosos que não te mandou e apenas guardou, e que isso surpreenda vc.E quebre esse ciclo…rssss….Muito bom teu texto!

  • Diego Fávero disse:

    Nossa!! história sensacional, mas precisa ter um controle emocional senão o namoro sempre já vai começar com desconfianças pra vc achar algum “erro” dela

  • Fernanda Reis disse:

    Bom, ja dizia a celebre frase: Quem procura acha. simples assim, ou você confia ou não confia.

  • Guiki disse:

    Uau… acho que isso exige até um certo “tratamento” hahaha
    Acredito muito naquilo de “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Namoro há mais de um ano e não sinto necessidade da senha, como disseram acima, escolhi confiar! Toda mentira tem perna curta, as pessoas se contradizem, não há necessidade de vasculhar o mundo virtual…

  • Natália disse:

    Meu Deus,
    As vezes a curiosidade é tanta que até pensamos em fazer isso.
    Mas como foi dito no texto, é vicioso. E outra, dpois vc fica escravo dessa práica. Prefiro não saber.

  • Mari disse:

    Bem que o autor do texto poderia colocar um tutorial aqui de como quebrar senhas… hahahahahahahhahaha

  • Hévellin disse:

    É verdade Mari, um tutorial desses não seria nada mal. Hahahah

  • Robson disse:

    Mundo moderno do cão!!!

    Cada um de vocês tem algo escuso virtualmente, nem que seja uma mensagem mais calorosa recebida/enviada a um(a) conhecido(a). Cada um dos seus parceiros também tem. O autor, provavelmente, não foge à regra tal como todos nós (é certo que evitou comentar seus segredos). Se por um lado nem tudo que é virtual necessariamente se traduz em real, do outro lado nenhum ser humano é confiável, salvo os “santos”, que não representam 0,00000001% da população.

    Portanto, não sejam ingênuos. Dêem uma olhada na pessoa o lado. É *CERTO* que há alguma coisa nele que te chocaria.

    A questão não é “escolher confiar”. Isso não existe. A questão é você optar ou não por ser bobo de alguém para ser feliz.

    Supondo que ninguém seja feliz sozinho, claro…

    100% transparência parece-me ilusão!

    Eu peço apenas que os senhores não cometam traições atrozes, pois nunca sabemos *até que ponto* somos bobo do outro. De preferência, não cometam traiçõa alguma. Apenas saibam que toda pessoa também traz uma bagagem de RISCO… Por isso, se quiserem ser bobos, no mínimo usem camisinha para tudo.

    Boa sorte a todos nós!!

  • Diexmax - Autor do Tópico disse:

    Robson, parabéns pelo seu comentário. Foi muito bem elaborado.

  • Fim da escuridão: “O que aprendi controlando meus relacionamentos” | Diário de Casal disse:

    […] Enviado por um leitor que preferiu, por motivos óbvios, não se identificar. Os nomes com * ao lado são fictícios. Leia o primeiro post dessa série aqui. […]

  • pandaNs disse:

    Quem procura.. acha.

  • Lolz00r disse:

    Rapaiz, senti uma angústia danada lendo essa história. O_O

  • Juh disse:

    Nossa..vc nunca vai conseguir ter um relacionamento..ta precisando de tratamento.

  • Carol disse:

    nuossa…sem comentários!
    ah, tenho um sim: quem procura sarna pra se coçar acha!!!

  • Leonardo Coelho Baima disse:

    nós dois temos muita coisa em comum…amigo

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