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O futebol como terceiro indivíduo do relacionamento

23 setembro 2010 12 Comentários       Postado por Ele / Ela

Meu avô era doente por futebol. Nada era mais sagrado do que o jogo na TV ou – em épocas anteriores ao payperview– no rádio. Hora do jogo era hora de sentar e ninguém poderia falar no ambiente, interrompendo essa conexão mental das mais fortes. Somente era permitido xingar o juiz e gritar gol.

Meu avô teve 6 filhas e meu pai. As filhas, de maneira geral, gostam de futebol. Umas mais, outras menos, mas gostam. Minha avó sabe as escalações de vários times do Palmeiras de cor. Sabe como é, convivência. Ela não perde uma partidinha.

E meu pai?

Viciadíssimo, claro. Não me lembro de um domingo em casa sem futebol. Cresci indo ao estádio com ele e com meu irmão – que não preciso nem dizer só faz jus à terceira geração do vício familiar. Crescer em um ambiente desses – e consequentemente gostando muito de futebol – me deixaria preparada para qualquer namorado com paixões futebolísticas, certo? Meu amado, por motivos óbvios, deu-se muitíssimo bem com meu pai e meu irmão. Não é palmeirense, mas é mineiro. E torce para o Atlético, vulgo “Galo”. Sem grandes problemas ideológicos com a família. Se fosse Corinthiano….xi….Mas não é. E tão doente quanto os outros homens da minha vida…

Eu consigo lidar bem com o fato de que raramente vamos sair aos domingos – e não me incomoda, porque eu também gosto muito de assistir aos jogos. Mas a grande diferença entre nós é o estado de espírito com o qual eu faço isso… Ganhou? Ótimo. Meia dúzia de posts no twitter, sms trocados e rivais de saco devidamente cheios: eu praticamente nem penso no Brasileirão até o próximo jogo.

Logo na primeira partida que o Galo perdeu, uma de nossas primeiras brigas: o cara ficou arrasado depois do jogo e em silêncio mortal. Não falava comigo. Não falava com a minha mãe. Parecia que havia morrido seu melhor amigo. O mau humor durou horas. No começo fiz carinho, tentei dar beijinho para sarar. Mas nada mudava o marasmo. Aí comecei a me encher, encher e encher e explodi – eu sou assim.

Aliás, deve ter sido nesse dia em que eu descobri também que não poderia fazer piada com o time dele. Nunca. Jamais. Com a mãe sim. Com o Galo não.

Futebol e nós
E ai de você se fizer uma piadinha, viu?

Cheguei a achar que nosso relacionamento nunca iria funcionar. Eu jamais me prestaria a isso por toda a minha vida. Os caras estão lá, ganhando o (gordo) salário deles normalmente… nada justifica essa depressão toda. Mesmo porque…o Galo raramente ganha…já imaginaram?
Brigamos, brigamos, brigamos. Várias vezes. Quase todo domingo. Bastava o Galo perder para eu ser absolutamente ignorada pelo homem da minha vida.

Um dia, conversamos. Sem brigar. Ideia genial. Hoje, ele tenta controlar sua decepção com o Galo e ao tento respeitar seus momentos de introspecção… não tão fácil como parece, mas efetivo.

No final das contas, todos temos as nossas manias…e eu quero amar e ser amada apesar e por todas elas. Sem o futebol entre nós.

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12 Comentários      Postado por Ele / Ela
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12 Comentários »

  • Mayara disse:

    Olha, Ise, eu te entendo. Até já escrevi sobre isso. Meu namorado é assim também. Falou em São Paulo Futebol Clube, parece que todo o resto fica em segundo plano. Horário de jogo é sagrado. Se o time dele perde, ele fica muito mal humorado… e se o time dele perde pro meu, então, já viu, né?
    hahahahaha
    Homens e sua paixão (insana) por futebol.
    Amei o post!

  • Julia disse:

    Geeeeente, adorei esse post! hahahahhaha O futebol também está super presente na minha vida, só que de uma maneira mais simples.
    Meu pai, Cruzeirense fanático, meu irmão, Cruzeirense também e mais fanático ainda.. e eu de quebra, Cruzeirense (mas nem tão fanática a ponto de ficar o dia todo falando do time, como os dois citados acima). E olha que sorte a minha: meu namorado tb é Cruzeirense! Sim, fanático tb. Mas enfim, quando o Cruzeiro perde, eu tb compartilho do mesmo sentimento, e então fica mais fácil entender..
    Enfim, futebol não é um problema no meu relacionamento, e sim algo muito bom!!

    Sorte a minha!!! rsrs

  • Diego Fávero disse:

    o dia que o São Paulo foi eliminado da Libertadores, fiquei uns 3 dias sem falar com minha namorada hahaha. Ela diz “gosto de futebol quando o jogo termina” .. mas não adianta, sou viciado .. é amor, né?! Entendam meninas!! Não tentem mudar isso senão vai dar uma bela briga.

  • Karla disse:

    No meu caso não tenho esses problemas sou completamente viciada em futebol, meu noivo até gosta de futebol mas eu consigo ser muito mais que ele, acompanho da serie A a D e como somos torcedores de times rivais todo fim de semana é uma tiração de sarro com o outro.

  • Nilson Viana disse:

    Ai levem a mal não, mas deixar minha paixão, minha fofuxa de lado por causa de time que perdeu, fala sério, é ruim heim…minha cara metade merece muito mais do que eu ficar com péssimo humor por causa de um bando que não tá nem ai se perderam ou ganharam, pensam apenas nos seus gordos salários e dane-se o resto. Gosto de futebol, mas recusar beijo, carinho, dengo, pq meu time perdeu, só se estiver correndo atrás de avião ou jogando pedra na lua, ou seja, maluco!!! Agora Thaise, vamos falar sério, torcer pro galo é gostar de sofrer, e muito, kkkk (sou cruzeirense, lógico), imagino o que você está passando na atualidade, kkkk. Bom, desculpe as brincadeiras, mas a rivalidade admite todo respeito e isto dedico a você, até pq minha fofuxa é atleticana, mas com jeitinho eu to colorindo o céu dela de azul,símbolo de felicidade, claro!!!

  • Thaise Pregnolatto disse:

    hahahahahahahaha

    Não é que ele me deixa de lado, é que o mau-humor era incontrolável. Uma espécie de TPM masculina! hahahahaha

    Como eu disse, eu ADORO futebol. Mas acabou o jogo, acabou! hahahaha

    Ontem foi uma delícia: eu que dei a notícia mais esperada do ano pelo meu amor. Não, não tem nada a ver com o nosso casamento ou nosso apartamento. Eu liguei para contar que o Luxemburgo havia sido demitido! hahahahahaha Ele parecia uma criança de feliz…

  • Fernanda disse:

    é Thais…no meu caso…sou eu o “homem” da relação… aquele q adora ver o seu time jogar, q vai no estádio e que briga para deixar no canal do jogo…rs
    ele não é chegado no futebol.. e agente acaba brigando pq ele quer mudar d canal pra ver filme e eu quero assistir o futebol! imagina como q é um domingo a tarde? pois é…rs
    mas agente vai levando na boa sem brigas…rsrs

  • Mayara disse:

    Hahahahahaha
    É bem isso, tipo uma TPM masculina. Só que com um detalhe: no Brasileirão, por exemplo, os times jogam duas vezes por semana. Imagina se perdem sempre, quem vai aturar TPM duas vezes por semana???
    Eles mal aguentam a nossa (que é biológica, não psicológica!!) uma vez por mês! hahahaha

  • Ana Luísa disse:

    HAHAHAHAHAHAHA Morri com esse post! “Mesmo porque…o Galo raramente ganha…já imaginaram?”
    Meu namorado também é atleticano… mas pra piorar, eu (e toda a minha família) sou Cruzeirense. Eles são realmente muito sentimentais, e é uma chatice! Hoje em dia, depois de um ano zoando muito ele por causa desse timinho, já aprendi a ficar caladinha depois das derrotas do Atlético, e só penso “putz, de novo, ele vai ficar um saco” hauahauha

  • Carol disse:

    AHAHAHAHAHA
    então se prepara no fim do ano por que o galo vai cair!
    “arerê o galo vai voltar pra série b”

  • Açucena disse:

    Ah, entendo o lado dele ; O Galo é a vida dos atleticanos , inclusive a minha . *-*

  • Eduardo disse:

    Adorei esse post. Em complemento, ressalto que, em muitos casos – eu incluso, o futebol não chega a ser um terceiro. Ele faz parte da minha pessoa! Ai daquela que tentar me fazer escolher entre ela e o meu “Curíntia”: o risco dela ser a preterida é grande. Pois, como falei antes, seria como escolher entre eu ou ela e – como não devemos nos esquecer de nos amarmos antes de amar aos outros – eu não teria dúvidas: -“aqui tem um bando de ‘lôcos’, loucos por ti Corinthians!”.

    Abraços.

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